sexta-feira, 29 de março de 2013

Sábado fora de época

É que era quinta-feira, mas tinha cara de sábado.
E ela andou sozinha da festa até a sua casa, pensando no tempo que perdeu indo lá. Estava entre casais e estava feliz com eles. Mas ela não formava par.
Voltou pra casa pensando em como as pessoas olham estranho quem está ímpar, sempre como se fosse ruim ou como par em potencial, não há meio termo. Ela só estava ímpar, nunca significou que fosse ímpar. Só que o olhar estranho a fez se sentir só.
Na fila algumas pessoas queriam entrar, ela saiu. Pelo menos liberei o espaço, pensou. Ela soltou as amarras dos saltos e agradeceu por pisar descalça no asfalto. Aquele não era o mundo dela, não lembra se um dia foi. Deve ter sido.
Caminhou sozinha de madrugada até chegar em casa. Ainda um tanto bêbada, outro tanto carente. Ouviu uma trocada de marcha errada na rua, o carro chiou, ela abriu a janela e perguntou se tudo estava bem. Era o vizinho. Nunca tinha falado com ele. Não sabe porquê perguntou aquilo, só fez. Ele respondeu que sim, que tudo estava bem.
Fechou a janela, riu de si mesma e xingou em voz alta aquela sensação. Vestiu o pijama e escreveu até dar sono. Meio bêbada, meio vazia, perdida entre estar ímpar e dever ser par.
E pensando no quanto já foi feliz até sendo o que não era postou isso, mandou à merda, e dormiu.

Um comentário:

  1. A solidão, a rigor, nos é inerente, e o externo, a respeito, irrelevante.
    GK

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